Blog do Cobredireto

Mudanças no mercado de cartão de crédito




Em Brasília seguem as negociações para a regulamentação do setor. O diretor da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Fernando Teles, afirmou durante audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, que as empresas do setor estão empenhadas em tornar o setor mais transparente. “Queremos deixar tudo mais claro para o consumidor”, disse.

Teles salientou que, em junho, começará a adesão dos associados ao Código de Ética formulado pela Abecs (arquivo em PDF). Daqui a um ano, o cronograma prevê o cumprimento de 100% do código de autorregulação pelas empresas que adotaram o documento em suas operações. A partir de julho de 2011, dar-se-á o início das certificações, que contarão com um selo da associação, de periodicidade anual.

O que muda para os lojistas?

O mercado de cartões se popularizou, nos últimos 14 anos, por conta do bom marketing desenvolvido pelas duas bandeiras que operam no Brasil. Se em 1996 o dinheiro plástico era aceito em pouquíssimos estabelecimentos, hoje, graças à expansão da rede, é possível pagar desde o cafezinho ao parcelamento do carro com cartões – sejam eles de débito ou crédito.

Com o fim da exclusividade dos adquirentes, que acontecerá no próximo mês, outras mudanças atingirão o mercado. O consultor Gastão Mattos fez, em seu blog, uma análise dos mitos e fatos que cercam a questão, que reproduzimos aqui.

- Lojas fecharão contrato com apenas um adquirente – para os pequenos e médios lojistas, a concentração pode fazer sentido, de acordo com a negociação feita com o adquirente. Para os grandes lojistas, isso é mito, já que manter contratos com Cielo e Mastercard garante concorrência e evita gargalos, como o problema de processamento ocorrido no último Natal com uma das bandeiras.

- O custo para o lojista tende a ser menor – A redução das taxas médias acontecerá, mas segundo o consultor não será o que está em discussão na mídia (cerca de 30%).

- Novas companhias? Por conta dos investimentos em expansão do duopólio Cielo-Mastercard seria muito custoso para outras companhias conquistar fatias significativas do mercado. Para isso, seriam necessários investimentos maciços em rede e tecnologia, coisa pouco provável de acontecer. Mas, já existem movimentações de bancos como Santander e outras companhias do setor.

Segundo Mattos, até então, o foco das operadoras de cartão de crédito era a expansão acelerada. Nesta nova etapa, a tendência é focar os investimentos em qualidade de processos, capacitação tecnológica e valor agregado na prestação de serviços aos lojistas.

Outros pontos de vista

Já para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Antoine Tawil, as medidas vão beneficiar o consumidor final. “Nossos três mil associados estão aguardando a entrada em vigor das mudanças. A quebra de monopólio vai ser profundamente impactante no mercado. As taxas de administração cobradas hoje variam entre 3% a 4% do valor da compra e esperamos que fiquem menores. Atualmente, o lojista aguarda trinta dias úteis para receber compras efetuadas em cartões de créditos, consideradas à vista pelo Código de Defesa do Consumidor. Em outros países o tempo de espera é de uma semana em média. Estamos numa economia estável e em conversas com o Procon queremos discutir esta questão sobre a redução do prazo para pagamento do lojista”, avisa.

O diretor da Cielo, Fábio Camarotti, acredita que o mercado venha a ser influenciado pelas novas mudanças. “O consumidor será o grande beneficiado. Apostamos numa ampliação da nossa presença”, declara. Já o diretor executivo da Redecard, Marcelo Motta, considera prematuro prever as nuances do mercado. “Nossa expectativa é de crescimento, mas vamos aguardar o comportamento. É certo que as empresas precisarão inovar, promover reestruturações e dispor de novas tecnologias para atender as necessidades impostas pelo mercado”, avalia o diretor. A Redecard está presente no país em 1 milhão de estabelecimentos e a Cielo em 1,5 milhão.

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