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Pequenas empresas devem negociar taxas com as bandeiras




Com o fim da exclusividade entre as bandeiras de cartões e as operadoras desde 1º de julho, o pequeno negócio varejista no Brasil passou a ser tratado como cliente e não mais como mero repassador de serviços, acredita o empresário Álvaro Musa, organizador do Fórum C4 Varejo PME, evento inserido na programação do Congresso Cartões de Crédito ao Consumidor C4 2010, ocorrido em São Paulo.

Hoje, 3,5 milhões de micro e pequenas empresas ainda não trabalham com cartão de crédito por diversos motivos, entre eles o alto custo, considerando que cada terminal tem aluguel mensal de R$ 120, fora taxas sobre vendas e pagamento da linha telefônica. A Visa e a Redecard, que detêm 90% do mercado, têm 1,7 milhão de maquinetas espalhadas pelo País.

Musa coordenou o painel Cartões e Outros Meios Eletrônicos na Prática para o varejista. Participaram também Sérgio Murtinho, da Nexxta, Davi Zini, da Redecard, e o gerente da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae, Alexandre Guerra. Segundo o coordenador, nos últimos 15 anos o chamado “dinheiro de plástico” cresceu de 12 milhões para 600 milhões de cartões. “Estamos no varejo com 6 bilhões de transações no País. Em 1995, eram 200 milhões”, disse. Esses números, afirma, revelam o amadurecimento do setor de cartões, que investiu “muito dinheiro” em tecnologia para chegar a este patamar.

Apesar disso, ainda é um setor pouco regulamentado e muito criticado pelos pequenos negócios no país. “Precisamos estabelecer um diálogo entre as duas pontas. Não estou falando de reduzir preços, mas de criar um cardápio de produtos que possam ser benéficos às duas partes.”

Exigir qualidade

Virar um cliente, diz Sérgio Murtinho, tem um custo para o próprio cliente. “E preciso treinamento. Ele precisa tomar para si essa relação. Exigir qualidade dos serviços prestados. O brasileiro peca pelo conformismo, pela relação ruim.” Segundo ele, uma operação de meio de pagamento deve levar três segundo e não um minuto. “Se você varejista agora é o cliente, tem o direito de exigir qualidade no serviço prestado.”

Alexandre Guerra acredita que a relação ainda é desigual, mas deverá melhorar no futuro. “A bandeira que o Sebrae está levando à frente é mostrar que hoje as duas maiores credenciadoras operam com 2 milhões de empresas quando o universo pode ser muito maior se as condições foram diferenciadas de acordo com as necessidades dos usuários.”

Via Agência Sebrae

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